A Força Motriz da Vida

A Força Motriz da Vida

A Força Motriz da Vida
Blog, Crônicas do Homem do Fogo,

A Força Motriz da Vida

       Quando pesquisamos o termo “força motriz”, os dicionários dizem ser a “força que impulsiona, que faz mover, que ocasiona movimento”. Isso só começou a fazer sentido para mim quando li alguns livros que têm como tema as questões relacionadas ao poder que a mente humana possui. Tudo está lá, tudo é criado lá e tudo é executado e concretizado conforme os impulsos individuais de cada pessoa; mas por que alguns conseguem grandes feitos, se transformam em referências em suas profissões sendo que tinham apenas a formação escolar básica? A opinião dos autores é unânime: formação teórica abre portas e fornece ferramentas para que o conhecimento seja aproveitado de forma organizada e focada, mas existe “algo” alheio a tudo isso… trata-se de uma energia que cria, motiva, transforma, persevera e conduz ao caminho da auto-realização. Mas como conseguir ativar ela de forma deliberada? Napoleon Hill em seu livro “Quem Pensa Enriquece” (editora Fundamento) disse que “a resposta estará entre a primeira e última página do livro” – e estava, mas só encontrei depois de ler pela terceira vez.

        A vida do indivíduo que conhece essa força nunca mais é a mesma; ele se sente satisfeito, plenamente realizado e feliz. Tudo passa a ter significado e palavras como “desistir”, “enfraquecer” e “não consigo” são praticamente extintas do vocabulário. A frequência no uso dessa força mental automaticamente produz EXCELÊNCIA em tudo o que o indivíduo realizar; desejos profundos são alcançados e a capacidade de concretizá-los é cada vez maior. Nessa semana eu pude sentir em minha própria pele e de forma muita clara essa experiência mágica e inspiradora.

       Fui convidado para participar de um grupo de estudos para elaboração de uma importante norma para qualificação de profissional para resgate industrial em altura e espaços confinados. Grandes nomes desse segmento no país estariam reunidos para deliberar sobre os temas de interesse. Alguns profissionais que eu só conhecia por fotos e livros, dividiram a mesma mesa comigo, trocamos cartões de visita e algumas opiniões sobre assuntos relacionados ao resgate em altura. O grupo de estudos está incumbido de elaborar um texto-base para uma das normas mais importantes na área de segurança do trabalho do Brasil, e orgulhosamente estou fazendo parte disso. Mas não conseguiria nada sozinho.

       Um dia antes de meu embarque para o Rio de Janeiro eu estava sem recursos para a viagem, tendo em vista o gasto alto com alguns documentos e reparos em meu carro. Mas alguma coisa dentro de mim dizia “não desista, você irá!’. Fiquei em paz e aceitei as coisas. Comentei isso com um amigo, e após a realização de algumas ligações telefônicas ele me disse: “Cara, consegui sua passagem! Meu pai tinha milhas do cartão de crédito disponíveis e vamos queimar elas nessa sua viagem”. Foi inacreditável! Eu estava sem grana para ir de ônibus e de repente ganhei uma viagem de avião! (muito obrigado meu irmão, são inestimáveis as oportunidades que tive! você está me ajudando a revolucionar o mundo!).

       Coloquei o relógio para despertar 3h00, considerando possíveis atrasos, de forma que chegaria ao aeroporto 40 minutos antes do embarque. Até aí tudo ok se eu não fosse um PUTO e desligasse o celular quando despertou! Por um milagre acordei novamente às 4h30 (acho que foi meu Anjo da Guarda!), chamei um táxi e embarquei no ônibus da viação Cometa às 5h00 quase saindo. Aí começaram os “desvios”: o metrô parou duas vezes por problemas técnicos, quase perdi o ônibus da estação Tatuapé até o Aeroporto de Guarulhos, alguns momentos de trânsito lento… De repente me vi pensando na desculpa que daria ao meu amigo por ter perdido o voo, pois eu não teria dinheiro para pagar o re-embarque com todas as taxas e multas. Imediatamente bloqueei esses pensamentos e passei a repetir para mim mesmo: “Tudo vai dar certo, eu vou embarcar nesse avião e chegar no horário, nem que o tempo tenha que parar para mim!” – não sei explicar como, mas parece que foi exatamente isso que aconteceu.

       Essa sequência de acontecimentos me deixaram muito entusiasmado com a “força” que estava atuando à minha volta. Fui à reunião, cheguei no horário, fiz ótimos contatos e aprendi muito sobre como funciona o processo para se criar uma NBR. Ao retornar para São Paulo, me sentia muito grato e inspirado com a vida. Embarquei no avião, conectei um fone de ouvido e liguei em um canal qualquer. No pequeno LCD à minha frente passava um programa do canal Bis chamado “Na Voz Delas”. A música “Preciso Me Encontrar” (Candeia) era interpretada pela cantora Luiza Lian. Sua voz exótica emanava doce e encanto; quando a câmera focava os músicos, notei na feição de cada um satisfação, alegria e prazer em estar ali tocando seu instrumento. A baixista era uma negra muito bonita com um cabelo solto, armado, no estilo típico afro. Ela fazia música com os olhos ora fechados, ora abertos, sorrindo sozinha, sentindo provavelmente a mesma realização pessoal que eu sentia. Me perguntei porque eles não eram “famosos”, pois o grupo fazia música de extrema qualidade. Tive um insight instantâneo: “Pouco importa ser reconhecido ou famoso; o que vale mesmo é sentir e emanar essa energia, que dá força para a realização de todos os sonhos e vontades”.

       Na sequência, começou outro programa e resolvi mudar de canal; parei no filme “Rambo II – A Missão”. Novamente, o estado mental no qual eu me encontrava produziu um novo insight: “O que você está vendo não é o Rambo, mas sim a concretização dos sonhos de um homem audaz e persistente”. A primeira coisa que fiz ao chegar em São Paulo foi procurar informações sobre a vida de Sylvester Stallone. Me surpreendi e faço questão de transcrever abaixo a parte que mais me chamou a atenção:

“(…) Stallone se casou e foi levando a vida, mas chegou em um ponto que estava tão pobre que roubou as poucas jóias que sua mulher tinha e as vendeu. As coisas ficaram tão ruins que ele acabou morando na rua. O fundo do poço chegou quando teve de vender seu cachorro em uma loja de bebida para um estranho qualquer, pois não tinha dinheiro para alimentá-lo mais. Ele o vendeu por 25 dólares, entregou seu cachorro e saiu chorando.

Duas semanas depois ele viu uma luta de boxe entre Muhammad Ali e Chuck Wepner e essa luta o inspirou a escrever o roteiro de Rocky. Ele escreveu o roteiro durante 20 horas seguidas e tentou vendê-lo e recebeu a oferta de 125 000 dólares, mas tinha apenas um pedido. Ele queria estrelar no filme como o personagem principal, Rocky, mas o estúdio disse não. Depois de algumas semanas o estúdio o ofereceu 250 000 dólares, ele recusou, então ofereceram 350.000, e ele ainda recusou. Queriam o seu filme mas não o queriam. Ele disse não, “Eu tenho que estar nesse filme”. Depois de um tempo o estúdio concordou em lhe dar 35 000 dólares pelo roteiro e o deixaram estrelar o filme.

A primeira coisa que Stallone fez com o dinheiro foi comprar seu cachorro de volta. Ele ficou parado na loja por 3 dias até que o homem voltasse com seu cachorro. O homem se recusou a vendê-lo mesmo por 100 dólares, Stallone então ofereceu 500, ele recusou. Ele então ofereceu 1000. Finalmente, Stallone desembolsou 15 000 dólares pelo mesmo cachorro que ele vendera por 25.

Rocky foi lançado em 1976 e recebeu dez indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, nomeações para Stallone. O filme acabou por vencer o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Edição”.

( fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvester_Stallone, acessado em 18/10/2016)

       O resto da história você já sabe – um dos atores lendários de Hollywood, marcando gerações com os personagens Rocky e Rambo.

       Se você pesquisar outros nomes importantes em suas respectivas áreas, notará que todos terão em comum DESEJOS e SONHOS (aparentemente impossíveis para as demais pessoas, mas plenamente tangíveis para a mente que os produziu), PERSISTÊNCIA INCANSÁVEL NA BUSCA DE SUA REALIZAÇÃO (caminho que exige disciplina, foco, fé, resiliência…) e uma grande PAIXÃO PELO QUE SE FAZ (busca pela auto-realização, que é resultante de um período temporário de sofrimento, dor ou incertezas). Vamos dar especial atenção para a palavra PAIXÃO, pois uma de suas definições refere-se aos tormentos sofridos por Jesus Cristo, na BUSCA INCANSÁVEL pela pregação do Evangelho, que sobrevive há mais de 2000 anos.

       Mas o que tudo isso têm a ver com Salvamento?

       Quando uma viatura sai do quartel todos os integrantes sabem que a ocorrência deverá acabar com sua chegada. Não existe a opção ” se não conseguirmos passamos a bola para o …” Para quem??? Não existe essa possibilidade! A CERTEZA DO CUMPRIMENTO DA MISSÃO (ainda que muitas vezes nem se tenha ideia de como fazer, inicialmente) produz PERSISTÊNCIA (horas de trabalho em equipe na busca de um resultado), que é fruto de uma grande PAIXÃO PELO QUE SE FAZ (proteção da vida, meio ambiente e patrimônio). De forma resumida, é uma questão unicamente mental – “vamos resolver pois somos última instância”. É justamente essa filosofia que transforma homens e mulheres em profissionais de salvamento, sobrepujando os riscos diversos que cada ocorrência oferece, trazendo novamente à vida os que foram agarrados pela morte.

       O mundo precisa de pessoas que descubram essa FORÇA MOTRIZ e a apliquem em suas vidas. Confie, pois os resultados serão surpreendentes.

#FORÇAEHONRA

foto: Alberto Takaoka

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A Força Motriz da Vida

Geison Matochi

Trabalhando com salvamento desde 2003, atua como instrutor de técnicas verticais e resgate em altura para diversas escolas e instituições. É fundador e editor do blog Salvamento Brasil. contatos: whatts +55 (15) 99143-0679 / gmatochi@gmail.com